domingo, 8 de dezembro de 2013

"Amor à Vida": veja 5 exemplos de má gestão em empresas familiares!

Para os noveleiros de plantão: Trama de Walcyr Carrasco em torno do Hospital San Magno é um festival de decisões e condutas empresariais equivocadas. Bárbara Ladeia -


Há quem ache que tudo na é ficção muito exagerado. Especialmente os barracos protagonizados por Félix e César Khoury, personagens de “Amor à vida”, novela de Walcyr Carrasco na Globo, que vêm provocando reações diversas em todo o público desde a sua estreia em maio.
Um dos cenários centrais é o Hospital San Magno, o empreendimento da família mais conflituosa de todos os núcleos do folhetim. Por lá, já teve troca de resultados de exames de DNA, homicídio por acidente e até uma surra de cinta do dono do hospital em seu filho, que era diretor administrativo da instituição. 
Na opinião de Luiz Marcatti, sócio da área de gestão da Mesa Governance Corporate, consultoria em governança corporativa, os roteiristas de novela não precisam de muita criatividade quando o tema é erro de gestão – especialmente em empresas familiares. “Pelo menos 85% das empresas são familiares e enfrentam diariamente esse tipo de questão”, diz.
Ciúme entre irmãos, herdeiros poderosos demais e formação de grupinhos de puxas-saco em torno do sucessor são alguns dos exemplos de conflitos corporativos frequentes enfrentados por empresas mal administradas.
Para evitar esse tipo de transtorno, não é necessário abdicar da ideia de montar um negócio em família. “Profissionalizar a empresa não é demitir parente”, afirma Marcatti. Basta estar atento à gestão e principalmente observar o que está acontecendo com os familiares que atuam na empresa.
Confira os 5 maiores erros de gestão do Hospital San Magno que podem estar acontecendo em uma empresa real, perto de você.
1. Sob a gerência do filhinho do papai
Félix, filho de César Khoury, passou a maior parte da novela mandando e desmandando dentro da empresa, sob o conforto de ser o intocável “filho do dono”. Na vida real, esse comportamento talvez seja um dos mais conhecidos – e condenados pelos funcionários. “Muitas vezes os pais acabam dando privilégios a mais ou reduzindo o nível de exigência quanto à eficiência e os resultados”, diz Marcatti.
2. Só confia na família
Além de ter dado poderes demais ao vilão Félix, o excesso de confiança e a falta de profissionalismo dos dois levou César a ser enganado pelo próprio filho. Para tirar um dinheiro a mais, Félix superfaturou notas fiscais emitidas pela empresa. Em nome da família, César não acreditou nas primeiras acusações e chegou a se indispor com antigos sócios que há anos mostravam sua idoneidade. “É frequente ver o líder da família valorizando mais a confiança que a competência e a ética”, diz. “Natural que acabe trazendo gente da família que não é necessariamente preparada para isso para estar à frente do negócio.”
3. Sucessão tem hora certa
E por falar em preparo, um bom processo de sucessão merece cuidados extras – são meses de preparo e dedicação para que o filho esteja pronto para assumir os negócios. Paloma, a filha de César, acabou assumindo a vice-presidência do hospital em meio a uma enorme confusão de desvio de verbas e brigas familiares. Ela nunca tinha desejado o cargo e, como só havia se concentrado no atendimento de seus pacientes, também não estava pronta para assumir um cargo de gestão. Segundo Marcatti, o atraso na preparação dos sucessores é sempre muito frequente. “Eles sempre acham que os meninos ainda não estão emocionalmente prontos e perdem o timing da sucessão”, afirma.
4. Contas empresariais e pessoais: tudo junto e misturado
A separação das contas é um ponto crítico na gestão de empresas familiares. Frequentemente, Marcatti vê negócios em que as finanças pessoais e corporativas viram um bolo só, colocando em jogo a eficiência dos negócios da empresa. César foi um ótimo exemplo do quanto isso pode ser nocivo: o médico desviou temporariamente dinheiro do San Magno para atender aos caprichos de sua esposa Aline que, por sinal, era sua secretária e amante antes do casamento. Tudo errado.
5. O bando de puxa-sacos oportunistas
Um personagem que aparece pouco mas tem muito a ensinar é o médio Jacques. Oportunista, ele tentou seduzir Félix para conseguir um cargo na diretoria do hospital. Agora a bola da vez é Pilar, ex-mulher de César Khoury. “Os próprios funcionários acabam formando grupinhos e criam um clima de quem joga no seu time e quem é contra você”, diz Marcatti. “Se tiverem a proteção de um parente do dono, melhor.”