Não olhar nos olhos passa desconfiança, cruzar os braços mostra que você está fechado e a postura corporal pode revelar insegurança. Vestimenta, olhar, trejeitos e manias podem dizer muito mais do que as palavras e ações: revelam o inconsciente da pessoa, ainda que ela não queira expor como realmente está se sentindo.
"Muitas profissões têm formação técnica, mas para subir na empresa a pessoa tem que assumir uma posição de gerência e falta a habilidade da comunicação. Um bom gestor é um bom comunicador", explica Roseli Porto, professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).
Roseli insiste que o primeiro passo é perceber a importância da linguagem não-verbal, pois quem não se comunica bem acaba por não ter visibilidade, não consegue vender projetos e produtos, e isso afeta o desempenho, a reputação, a performance e o salário do profissional.
Para evitar esses problemas, a professora sugere algumas dicas:
1. Mantenha contato visual
Em uma reunião com a diretoria ou em uma apresentação a uma plateia, olhar nos olhos das pessoas é fundamental para transmitir credibilidade e segurança. "Quando a gente mente, não olha nos olhos", lembra.
2. Cuidado com os vícios do corpo
"O que eu observo na minha experiência com executivos é que o corpo é com o que eles menos se preocupam. Mas o momento de estresse é quando o corpo fica mais vulnerável e natural”, acredita. As pessoas põem a mão no bolso, cruzam os braços, gesticulam demais, fazem gestos inconvenientes, mexem no cabelo, ficam ajeitando a roupa ou tremendo a perna. O resultado disso é o desvio da atenção do ouvinte do objetivo, que é apresentar um projeto ou uma ideia, para o que a pessoa está fazendo.
3. Vista-se de acordo com o ambiente
Se o ambiente é formal, a vestimenta tem que acompanhar a formalidade. Isso também está conectado à credibilidade, acredita ela. A roupa adequada também influência na reputação do profissional.
4. Filme seu discurso
Antes de fazer uma apresentação, de tentar vender um projeto, Roseli aconselha o palestrante a se filmar, de corpo inteiro, falando. As gravações vão mostrar quais são os vícios corporais e os cacoetes mais comuns, como "Né?", "Tá?" e "Ok". Ver-se em ação dá outra perspectiva e ajuda a pessoa a corrigir os problemas da comunicação não-verbal.
5. Identifique e siga as regras culturais do escritório
"O ambiente de trabalho não é lugar para você ser natural. Tem um protocolo, é um grupo social, que tem regras de linguagem e de comunicação não-verbal relacionadas à cultura organizacional. Algumas empresas podem ser mais informais, isso se traduz na roupa, na linguagem. Mas por mais informal que seja, existe uma regra", finaliza.
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