A (DES)EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Wemerson
Damasio *
Texto
publicado na edição impressa de 12 de junho de 2013 . (GAZETA DO POVO)
Acontecimentos recentes – ou melhor, acontecimentos que
querem que pensemos que sejam recentes – levantaram questões sobre a educação
no Brasil, como a violência e o consequente descaso das autoridades. No
entanto, não é de hoje, e muito menos de ontem, que fatores violentos assombram
as escolas e todos aqueles que fazem parte delas.
Vivemos em um país onde os números falam mais alto que a
percepção e bom senso do cidadão; onde o Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica é camuflado bienalmente; onde o professor passou de transmissor de
conhecimentos para educador básico e cuidador de crianças, em média 30 ou 35
por aula, recebendo uma responsabilidade que não lhe pertence: a de educar, no
sentido primordial de um dicionário qualquer. Nesse processo de formar cidadãos
(porque a responsabilidade agora cai única e exclusivamente sobre o
profissional da educação) exclui-se, quase que em sua totalidade, a
participação familiar e política desse pré-cidadão; expõe-se pré-adolescentes,
adolescentes e profissionais ao barbarismo e conquistas medievais, guerras
travadas diariamente por um espaço na sociedade.
Fala-se constantemente da erradicação da miséria.
Promovem-se projetos, distribuem-se benefícios e engana-se uma nação. Escondem
atrás de algumas notas de real uma realidade que, aparentemente, é aceita por
aqueles que são beneficiados. Esquece-se, porém, que uma nação necessita de
muito mais que apenas algum dinheiro no bolso; que a promoção cidadã é galgada
diariamente com muito esforço, suor e educação. Educação em seu mais amplo
sentido, e tal amplitude estacionou nas costas daqueles que se propõem a
enfrentar uma guerra munidos apenas de um pouco mais de conhecimento e boas
intenções de transmiti-lo.
Nesse contexto, todos se prejudicam: educandos e
educadores, filhos e pais, cidadãos e país. A espera por uma sacudida no processo
educacional fica cada vez mais utópica. O reflexo de tudo isso será percebido
por gerações das quais, espero, não farei mais parte, tendo em vista que num
futuro próximo as nossas vidas serão cuidadas e comandadas pela geração atual
que desrespeita, agride, quase nada apreende e expõe-se, orgulhosamente, à
regressão nas mídias. Por outro lado, podemos também ser cuidados e comandados
por aqueles que, espertamente, nos deixarão de herança seu sucessores.
Violência não é apenas socos, pontapés e agressões
verbais; inclui-se nela também o descaso familiar e político para com uma
geração que um dia povoará o país. O nosso país.
* Wemerson
Damasio, especialista em Metodologia de Ensino, é professor especialista da
rede pública estadual e municipal.
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